Saturday, December 29, 2007

SWANS (Chris Spheeris, Enchantment)

No silênco-só no Silêncio-no
vazio que é repleto-só no vazio
que é repleto-no nada que é tudo-só no nada que é tudo-há
LIBERDADE.

Mestre Morya

Friday, December 28, 2007

Bruce Springsteen - Glory Days

Que todos os dias de 2008 sejam
dias de glória.
A vida é um jogo com regras.
Que façamos dela sempe o melhor
que sabemos, porque de facto
ela passa breve como um piscar de olhos.

Tuesday, December 25, 2007


A VIDA
A vida é uma oportunidade, aproveite-a...A vida é beleza, admire-a...A vida é felicidade, deguste-a...A vida é um sonho, torne-o realidade...A vida é um desafio, enfrente-o...A vida é um dever, cumpra-o...A vida é um jogo, jogue-o...A vida é preciosa, cuide dela...A vida é uma riqueza, conserve-a...A vida é amor, goze-o...A vida é um mistério, descubra-o...A vida é promessa, cumpra-a...A vida é tristeza, supere-a...A vida é um hino, cante-o...A vida é uma luta, aceite-a...A vida é aventura, arrisque-a...A vida é alegria, mereça-a...A vida é vida, defenda-a...

Madre Teresa de Calcutá

Sunday, December 16, 2007


Segundo o antigo calendário japonês, cada dia é representado por
uma curiosa denominação.
Assim é que, de sessenta em sessenta
dias, se repete o Dia do Macaco, cuja
a comemoração gráfica, profusamente gravada em grandes
pedaços de rocha que se encontram
avizinhando alguns templos rurais,
consiste num grupo de três macacos
sagrados patronos desse dia:
Um deles tapa os olhos, o macaco cego - não verá o que não deve ver.
O outro tapa as orelhas, o macaco surdo - não ouvirá o que não deve
ouvir.
O terceiro e último, tapa a boca - não falará do que não deve falar.
Estas figuras no seu todo, traduzem o símbolo tocante da paz, da criação
e da pureza das consciências.
Este pequeno excerto encontra-se no livro "OS SERÕES NO JAPÃO" de
Vesceslau de Morais.
Provavelmente perguntarão, mas que tem isto a ver com o Natal?
Tudo! Fala de Paz, da Criação, da Pureza da Consciência que todos
devíamos cultivar pelo menos de sessenta em sessenta dias.
Feliz Natal!

Monday, December 03, 2007

Little Drummer Boy

Que o Natal não seja apenas um
tempo de luzes artificiais.
Mas que seja a inspiração de nos fazer lembrar que dentro de
cada um de nós existe uma Luz
Superior que nunca se extingue.
Basta a deixar brilhar todos os
dias do ano.

Saturday, November 24, 2007

Tuesday, November 20, 2007

ABBA - Fernando

Nem tudo o tempo apaga.

Tuesday, November 13, 2007



Saiba o que é a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica.

Consulte www.myos.pt

Obrigada pela visita.

Saturday, November 10, 2007

Pela luz dos olhos teus

Pois...quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus, decidem se encontrar...hummm para quê palavras????

Friday, November 09, 2007

RECOMENDO


Quem passar por aqui e gostar de poesia não deixe de visitar


http://www.luso-poemas.net

Italia 03 - Tarde em Itapoã Vinicius de Moraes e Toquinho

É uma docura passar uma tarde com Vinicius e se for em Itapoã...:)

Monday, November 05, 2007

Lisboa no meu olhar

Eu amo esta cidade das sete colinas
de escadinhas e esquinas,
de becos sem saída, ruas estreitas
e de modas que vestem, tascas e bares
em noites…”perfeitas.”
Do casario que namora o rio,
da Praça da Figueira e do Rossio.
Eu gosto da sala de visitas
para quem chega do sul;
Praça do Comércio de janela aberta,
onde a luz ímpar de Lisboa liberta
envolve e abraça, em tons de azul.
Eu amo esta cidade calçada de negro e branco,
envolvida por um manto, ou vestida de cor garrida
quando desce a Avenida.
Eu gosto de Santo António,
Padroeiro desta cidade, casamenteiro de verdade
e devoto da folia, sem esquecer uma Ave-Maria.
Eu amo esta cidade de voz dolente e cansada
Pelo instinto guiada, ao som da velha canção,
que canta como pregão.
Fado! Que lhe traçou a sina, desde os tempos da moirama
espraia-se por Alfama , escuta-se em cada esquina.
Cidade amante do Tejo! Que de Sta Luzia vejo
ou da Senhora do Monte donde olho o horizonte…



Lisboa! falas de amor qual gemido, juntinho a qualquer ouvido
Insinuas-te num pedido, segredando baixinho ao luar:
-Deixa-te amar como eu, que nada na vida é teu
Olhar, do meu doce olhar!

Sunday, October 28, 2007

Jorge Palma - Encosta-te a Mim

Um cantor que marca a diferença.

Friday, October 26, 2007

Thursday, October 25, 2007

Jonathan Livingston Seagull (His autumnrain's mini movie)

Maravilhoso! Soberbo! Inspirador! Divino.

Mafalda Veiga - No Rasto do Sol

Contigo vou aonde a imaginação
me levar...no rasto do sol ou da lua, ou na procura de um
qualquer lugar imaginado.


Há filmes, músicas, peças de teatro que marcam etapas da nossa vida.
Numa daquelas noites em que o sono se ausenta revi um filme fantástico
que tem por título Fernão Capelo Gaivota.
É uma lição de vida. É a força da vontade, da persistência, do empenho
de fazer cada vez melhor e ir cada vez mais longe.
É o apelo interno da liberdade e da concretização da mesma e, ao mesmo
tempo ter a noção de que se precisa aprender, para poder ensinar. Que
tem que se recuar para poder prosseguir.
É o conhecimento superior. É essa voz silenciosa e interna que nos faz
perceber que quando " o aluno está pronto, o Mestre aparece".
A liberdade não deve nem pode ser apenas aparente.
Sente-se, vive-se, partilha-se, constroi-se e só assim seremos livres de
pleno direito.
Para isso temos de saber quem Somos.
Aquele, ou aqueles que privam os outros do pleno direito de serem livres
são prisioneiros de si próprios e não sabem que o são.
Um dia evoluiram mas por arrastamento, e liberdade, será apenas uma
palavra que nunca fará muito sentido nos seus corações.

MARIA BETHANIA - JEITO ESTUPIDO DE TE AMAR

Cada um de nós tem a sua forma, ou jeito de amar.
O segredo, se é que segredo existe, reside em nos aceitarmos como somos, para poder aceitar os outros como eles são.

Tuesday, October 23, 2007

Thursday, September 13, 2007


Quem olha para fora, sonha;
Quem olha para dentro,desperta.
Carl Jung

Sunday, July 15, 2007

Eram sete horas quando começaram as previsões de quem ficaria à frente dos destinos da Camâra Municipal de Lisboa. Percebeu-se que só por grande erro o P.S. ou, pelo menos a semi liderança ficava entregue ao partido socialista, mas sem maioria. Nem tudo é mau nesta vida.
Mas não percebendo eu nada de política e sendo muito básica, a dada altura fiquei
confusa. Mas as eleições eram mesmo para a Camâra de Lisboa? É que de repente
fiquei com a impressão que tinha sido em Cabeceiras de Basto e Alandroal.
Mistérios insondáveis da política.

Wednesday, July 04, 2007


Quem diria que um dia eu te beijava

Que vencia teu ar sério e distante

Mas quem ama sente em si dobrar a força

Que o amor não há força que o torça...

Fiz do amor, o meu cavalo alazão

O punhal era a paixão, para te ferir de repente...

Fiz do amor a minha estrela do mar

Que brilhasse devagar

Para te acudir na corrente.

Quem diria, que dormias no meu peito

Quando a noite chega calma e nos conforta.

Mas quem ama, sente em si, dobrar o empenho

Que o amor aguça a arte e o engenho!

Fiz do amor o meu cavalo alazão

O punhal era a paixão, para te ferir de repente...

Fiz do amor a minha estrela do mar

Que brilhasse devagar, para te acudir na corrente.

Poema de Jorge Fernando






Tuesday, July 03, 2007


Whenever you find friendship inside of you and your best truth, this will accompany you wherever you go, wrapping up the company sensation and necessary support.

Should you accept it without rejection...your interior wisdom will be the best counsellor and will not stand before yourself and others. Will not be either borders

in the hearts or different races; and there never be incomprehensible languages for

your heart.

Sunday, June 17, 2007

Deve ser a chuva que me deixa um bocadinho instável. Afinal nem existe
qualquer razão para me sentir assim.É Junho, mês das festas da cidade
de Lisboa.As marchas coloriram a noite, habitantes e turistas marcaram
presença, assim como os pretensos autaurcas lá estiveram no palanque.
Portanto tudo como manda a tradição com a benção de S.Pedro para não estragar a festa a Sto. António; que isto de cunhas e boa vizinhança
nunca fez mal a ninguém e, a noite era de festa. No entanto as tricas
políticas não ficaram de fora e desta vez mais acentuadas porque doze
marchantes se candidatam à maior Camâra do país.
Sinceramente, espero que não fique rosa, que é uma côr que já começa a cansar. Já basta a Assembleia e o Governo no uso e abuso da côr, que
no final das contas nos têm colorido, a nós povo, mas é de cinzento...se
é que não se inclina mais para a côr negra.
As notícias com que somos confrontados poucas ou nenhumas coisas
auguram de bom e, cada reforma com que nos presenteiam deixam-nos
de todas as cores, menos rosa.
Mas vamos ser optimistas, porque lá diz um velho ditado"que tristezas
não pagam dívidas". Será por isso que os nossos governantes andam
sempre tão sorridentes e que nenhum se queixa de desemprego, de salários em atraso, ou de baixas reformas?
Comemoremos então S. João que não tarda em bater-nos à porta com o
seu martelinho e alho porro, sem esquecer S.Pedro que apesar de ser o
último a ser festejado não é menos importante e também tem tradição.


Ó Santos de tradições
Olhai por nós todo o ano.
Livrai-nos de trapalhões,
Cheios de boas intenções
Que resultam em engano!

Bons Santos Populares.

Saturday, May 26, 2007

Um dia alguém escreveu que a dor desaparecerá da face da Terra quando todos sentirem a dor de cada um e cada um sentir a dor de todos.


Parece que de ano para ano a dor se vai apoderando das nossas vidas em
todas as suas cambiantes. Avançamos em tecnologias e descuramos o apuramento da nossa sensibilidade e enquanto assim fôr continuaremos
a ser metralhados e atingidos por subespécies humanas.
É um facto que o mundo mudou a partir do 11 de setembro. O terrorismo
não se fica só por bombas, ataques suicídas, por terras minadas.
Existe um outro tipo de terrorismo mais subtil, mas não menos penoso
que últimamente quer se queira ou não nos entra casa adentro através
dos média.
O caso de Madeleine grita apenas mais alto e com maior visibilidade aquilo que outros pais e mães já passaram e não se recompuseram.
O caso de Madeleine tem ainda o "condão" de pôr um pouco mais a nú a
fragilidade e a impotência humana, de questionar a ciência, de questionar as leis, de demonstrar as diversas formas de tratamento para
casos idênticos,quer em Portugal ou fora dele, deu-nos a dimensão da
organização e do lucro das redes pedófilas ou pode novamente nos mostrar os desvios comportamentais de um indivíduo que todos nós por
princípio achamos que tem um comportamento normal, seja lá o significado que se lhe atribua.
Mas o caso de Madeleine vém dizer-nos muito mais, que isto não pode ser a excepção, mas sim a regra para qualquer criança tirada abruptamente do seu meio familiar.
Muito se tem dito e escrito sobre a actuação da polícia portuguesa.
Pessoalmente não penso que devam ser eles os acusados. É bom não
esquecer que aqueles homens e mulheres também cumprem leis e que
eles se veêm muitos vezes confrontados com um manual de teorias que
alguém sentado num gabinete escreveu, sem nunca se ter visto confrontado que as exigências no terreno exigem. Pelo menos que seja
alterada as não sei quantas horas para que possam actuar, que tenham
acesso a mandados de busca rápidos, resumindo que tenham aquilo que
necessitam para poder agir. Meios rápidos e eficazes porque por si só a
polícia milagres não faz.
No que toca à imprensa portuguesa, gostaria que ela fosse mais aguerrida, mais forte, mais isenta, mais livre. Não desbocada. Porque
gente com esse predicado é o que por aí não falta. A imprensa inglesa tem defeitos? Tem! A imprensa americana tem defeitos? Tem!
Mas também têm poder para fazer investigações, têm liberdade de expressão, têm liberdade de derrubar presidentes etc. etc..
Se a nossa imprensa quando do desaparecimento de crianças portuguesas também se empenhasse assim com as televisões se calhar
muitos pais portugueses saberiam um pouco mais sobre o desaparecimento dos seus filhos. Quem diz nestes assuntos, diz outros.
E basta ter estado atento ao caso Esmeralda, em que uma estação de
televisão se empenhou em contabilizar os dias da prisão daquele homem.
Basta ver como a sociedade civil se mobilizou em torno deste caso. Um caso de amor e não de sequestro, como os tribunais tanto se empenham
em nos fazer crer. Como será que que classificam agora o caso Madeleine?


A dor faz parte do nosso caminho, da nossa aprendizagem, do nosso percurso de vida. Ela existe e existe nas mais variadas formas.
Transforma-la em amor e esperança é uma forma de arranjar forças para nos ir-mos mantendo vivos e confiantes ainda no próximo.


Que a particularidade que existe nos olhos de Madeleine mas que eu
chamo " a lágrima que nunca caiu", represente para ela e seus pais,
assim como para todas as outras desaparecidas e seus pais, a lágrima de
um feliz reencontro demore o tempo que demorar.

Monday, April 30, 2007

Para todos/as que por um acaso encontrem este blog deixo aqui um pedido.
Consultem o site

www.doartinteiros.com

e se quiserem e puderem ajudar desde já o meu muito obrigada.

Wednesday, April 18, 2007

Todas as vidas podem dar um filme, um romance, uma história aos quadradinhos, uma novela. Desta vez o argumento é o grau académico do Sr. José Sócrates e que sem ser por
acaso até desempenha a função de Primeiro Ministro. Muita tinta já correu sobre este assunto
e parece não ficar por aqui. Ao que tudo se resume no meu fraco entender é:
- SER ou NÃO SER ENGENHEIRO, EIS A QUESTÃO!
E no meio deste diz que diz e não diz, o senhor lá acabou por dizer que tirou o curso,um pouco apressadamente, mas é engenheiro. Pelo menos foi aquilo que eu entendi. É que isto de acompanhar os capítulos todos os dias não é fácil e, como o enredo tem muitos protagonistas mais difícil se torna.
Não sou fã do Engº.José Sócrates e já aqui o manifestei, mas o importante agora não é saber
se ele tem canudo ou não e, parece-me não ser isso o mais grave, porque a competência não
reside num canudo. Se lhe foi dada uma maioria e governou durante dois anos foi porque o
acharam digno , responsável , honesto e competente para tal, portanto cruxificam-no tanto
agora porquê? Porque ele faltou ao compromisso e promessas que fez na campanha eleitoral, ou porque não disse que não era engº? Mas que eu me lembre ninguém se importou com o
curriculum nem deste, nem de outro qualquer ministro.
Ser engº, dr., arqº e sei lá que mais não é sinónimo de inteligência ou competência.
Não estou a pugnar pela ileteracia ou analfabetismo, quanto mais e melhor instrução tivermos
melhor, mas para isso o caos em que se encontra a Educação tem que tomar um novo rumo, tem que ter mais qualidade e tem que responder aos desafios que cada vez serão mais exigentes.
Parece que o problema do sr. Primeiro Ministro mesmo antes de o ser, era sentir-se nú sem
o Engº na frente do nome. Este é um dos grandes males deste país. As pessoas avaliarem-se
pelas aparências e depois, verdade seja dita que também há canudos que rendem muito e
muitos que rendem sem canudo.
Esperemos que possamos novamente discutir ou não sobre a localização da OTA, do TGV,
dos despedimentos colectivos, do crescimento económico, da baixa de impostos, das greves,
do investimento, da criação de postos de trabalho, das reformas...que ainda estou à espera de
saber se tenho direito á minha ou não por invalidez. E nesta ultima eu gostaria tanto de ver
aplicado o tal simplex.
Boa sorte sr. Engº e não se esqueça que nós somos um Todo.

Tuesday, April 03, 2007




Nas poucas coisas que este
meu Portugal vai tendo de
bom é a liberdade religiosa,
porque na informativa e
escrita parece que já se vai
pedindo uma certa contenção.
É evidente que liberdade é
uma coisa, libertinagem é
outra.
O mundo precisa caminhar
na libertação dos povos.
Os excessos de nacionalismo, a intolerância e os
extremismos religiosos já não fazem qualquer sentido e, no entanto ainda somos confrontados com tudo isto.
Penso que seriamos demasiado ingénuos se acredirarmos que a morte
de Cristo se deveu apenas à Sua pregação. O Seu maior legado foi:
-Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.
Mas o poder da época não achou muita graça e os poderes de hoje seguem o mesmo trilho. Uma boa parte do mundo tornou-se demasiada
católica e pouco cristã.
Aceito todas as religiões e tenho o maior respeito pelas convicções de
cada um. Atravessamos tempos difíceis, mas não necessitamos de mais
uma guerra no campo das ideologias.
A morte faz parte da vida. Mas a vida é feita de ciclos e se assim não
fosse Tu não terias voltado ao terceiro dia.
E é, pela alegria da Tua volta que Te ofereço para partilharmos um ovo
de chocolate, recordando mais um dos Teus pedidos...
"Deixai vir a Mim as crianças e não os estorveis de vir a mim;porque
dos tais é o reino dos céus".

Monday, April 02, 2007




Uma eterna saudade.
Uma eterna lembrança.

Thursday, March 29, 2007



Alegraste-me a casa por doze anos. Mas nada é eterno e partiste sem um piar.

Abriste as asas num derradeiro esforço de subires ao poleiro que mais gostavas mas

a idade já não era tua aliada. Peguei-te, fiz-te uma festa e deitei-te no ninho. Aos

poucos os teus olhos foram-se fechando. O dia da libertação chegou.

É assim o ciclo da vida, uns partem , outros chegam...mas não haverá cantar como

o teu.

Wednesday, March 21, 2007




É Primavera , amor .
Há uma água , uma luz, uma essência que nos purifica, nos ilumina e
nos redime...uma estação que nos renova.
Que doçura é tocar essa essência, banhar-me nessa luz e partilhar esse
amor. Como é bom acolheres-me em teus braços, protegeres-me no meu
caminhar, transpor as barreiras da opressão da sombra e da ignorância
e cheirar o perfume das flores.
Como é sublime o azul do céu e o brilho do sol, o canto dos pássaros e o
verde dos campos.
Damos as mãos e dissolvemos as barreiras, caminhamos em direcção à
terra do amor, ao lugar da paz e somos plenos na renovação da Primavera.

Meu Amor! Meu Amante! Meu Amigo!
Colhe a hora que passa, hora divina,
Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo!
Sinto-me alegre e forte! Sou menina!
Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina...
Pele doirada de alabastro antigo...
Frágeis mãos de madona florentina...
-Vamos correr e rir por entre o trigo!
Há rendas de gramínias pelos montes...
Papoilas rubras nos trigais maduros...
Água azulada a cintilar nas fontes...
E à volta, Amor...tornemos nas alfombras
Dos caminhos selvagens e escuros,
Num astro só as nossas duas sombras...
"Passeio ao campo "
FLORBELA ESPANCA

Wednesday, March 07, 2007


Vens peregrina de passo incerto
De outros lugares, de outros mundos
Que já não te espanta este deserto
Nem os abismos por mais profundos.
Já percorreste sois e estrelas
És viajante de anos-luz...
Alma tão cheia de coisas belas
Mas que carregas mais uma cruz.
Já que escolheste mais uma vez
P'ra te elevares, uma habitação
Tomaste um corpo e assim se fez...
Mulher ou Homem por condição!
Já foste terra, fogo, água e ar
Árvore, lume, oceano e vento.
E de todas elas foi sempre o luar,
Que te abraçou em cada momento.
Vens só resolver o não resolvido
Alma peregrina despida de côr...
Recorda-te assim do que foi vivido
E dá desta vez todo o teu amor.
Quando esta missão acabar...retem!
O último suspiro, eleva-te e...vai.
P'ra junto Daquele que sabe ser Mãe
Que não chega só o perdão do Pai!

Wednesday, February 28, 2007


Fico sempre com um sorriso quando
ouço a palavra simplex. Não sei se é
pela forma como é dita, por quem a
dita ou o propósito que serve. Parece
que tem servido bem a quem quer
constituir uma empresa. Se de facto
agiliza um procedimento que era por
demais burocrático, tudo bem.
O problema é que a palavra parece
ter-se banalizado.
Assim como uma espécie de hiper , mega , re-fixe saída da série Floribella, assim temos o simplex para os mais "in" da política e que por
arrastamento lá vamos nós.
Ora, tornou-se simplex a forma como se fazem despedimentos.
Tornou-se simplex a forma como se decide e se trata(ou não), da saúde.
Tornou-se simplex a forma de pagamento ao Estado, i, e, retira-se do
ordenado e, a forma de pagamento do Estado é hiper, mega simplex
porque esse simplesmente não paga.
Tornou-se simplex a colocação de professores. Se viverem no sul vão para o Norte e vice-versa. Tornou-se simplex a colocação dos médicos, ou melhor , a não colocação, porque ficam à porta de um hospital.
É muito simplex a maneira como se legisla e se aplica, e também não se
aplica essa mesma legislação.
É muito simplex a corrupção e menos simplex o apuramento da verdade.
É muito simplex deixar-se esperar meses e meses quem não tem forma
de subsistência. É muito complex ir a uma junta médica, porque leva anos e depois, é muito simplex a mesma junta dar apta/o para trabalhar,
nem que tenha que ir de maca.
Pode parecer muito simplex estar a escrever isto, apenas por não ter que
tomar decisões, mas é muito complex constatar que somos simples
marionetes nas mãos de quem lhe foi atribuido um poder, poder esse que era o de zelar pelos interesses de um povo que não tem nem um quinto das regalias de quem governa. Pelo menos a maioria do povo.
A natureza dá-nos lições extraordinárias e todos nós somos pouco atentos, quer à natureza , quer às lições.
Meus avós costumavam dizer que o mar viria buscar mais cedo ou mais tarde aquilo que lhe pertencia. O que se tem presenciado é o mar galgar
a terra, o que quer dizer que o não têm respeitado.
Esperemos que na ânsia pelo poder de alguns, não sejamos todos engolidos. E que as gerações vindouras ainda tenham uma terra e um país a que possam chamar seu, se a natureza não se adiantar.

Saturday, February 24, 2007


Este é um dos símbolos da justiça. Prefiro a senhora de
olhos vendados é mais apropriada nos tempos que
correm e, deve ser por isso que se esgotou a imagem.
"Gosto" desta justiça que actualmente é aplicada a quem infelizmente precisa de recorrer aos Tribunais.
"Encanta-me "a forma como são tratados quem tem
dinheiro e mais ainda quem o não tem. Se os primeiros
com facilidade tem acesso, já com os segundos o caso
muda de figura. Depois a celeridade com que os casos
são tratados, espanta qualquer comum mortal. E se fôr
falar de custas de um processo, então o assunto rasa a loucura.
Para se perceber ao que me refiro passo a expôr um exemplo.
Num processo de divórcio se uma das partes pedir pensão de alimentos, as custas são
de €6000 (seis mil euros), não é engano. É verdade por incrível que pareça.
Ora, se uma das partes pede isso é porque não tem forma de se sustentar, como pode
ter seis mil euros para pedir pensão? Claro que isto é dividido por requerente e requerido, seja como fôr o absurdo mantem-se.
Quando se passa à notificação de custas o assunto toma um cariz ainda mais interessante, isto é, desde o Incidente, Processo, Recursos, Taxas de justiça, Reembolsos, Multas e Coimas, cada um com seu valor, os quais não vou aqui mencionar porque varia de processo para processo, mas que perfaz uma quantia tão
astronómica que se aqui pusesse os valores de certeza pensariam que eu estava louca.
E diz uma senhora juíza que todos temos direito à justiça. De que forma, de que forma? É verdade que os senhores juízes tem acesso e direito, assim como os senhores advogados, mas com o cidadão comum a conversa muda, e muda, radicalmente.
Quanto a decisões não me vou pronunciar. Muitas das vezes a forma como decidem
depende da maneira como os senhores advogados também defendem os casos, e há
alguns ilustríssimos senhores doutores que "benza-os Deus e não os lamba o gato, que se os lamber há-de ficar farto", tal como eu fiquei do meu.
Dizem que a justiça é cega, pois será pobrezita, mas como uma desgraça nunca vém só, passou a ser surda e muda, como convém , quando convém e a quem convém.
Bom era que os pratos da balança de facto se mantivessem equilibrados...mas para
quando? Para quando?

Sunday, February 18, 2007



Deixava o mar aquela branca espuma
Que de repente na areia se desfaz
E tal, como o fumo se esfuma,
Assim se vai esfumando o valor da Paz.

Aquele céu vermelho alaranjado
Que deixa sempre alguma nostalgia...
É a paisagem natural, pintado
De quem repousou ao sétimo dia!

E a tarde vai ficando mais sombria
Fugiu Tua presença da paisagem
Trazendo a brisa da noite, a aragem
Impregnada de saudade e maresia.

Pesca... desta vez, Homens à rede
Não deixes que sejam sempre eles a pescar...
Ainda há neste mundo muita sede
Da Tua Verdade, da tua Presença e do Teu olhar.

Thursday, February 15, 2007


Tenho saudade de um tempo que já foi meu
e se dividiu; não sei se empurrado pelo vento
que rondava as cercanias do estio...
Encontrou assim, a solidão morada,
e se instalou como o tempo frio, e do manto branco
que cobriu a estrada, o vento varreu as pegadas...
e tudo sumiu.
Até a alma santo Deus, ficou gelada e finíssima
como cristal se partiu,
Saudade! tu me habitas enganada...
E se rondas o tempo?... ele já fugiu.

Thursday, February 08, 2007



Os meus olhos são uns olhos
E é com esses olhos uns, que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não veêm escolhos nenhuns.
Inútil seguir vizinhos, querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moínhos D. Quixote vê gigantes,
Vê moínhos? São moínhos
Vê gigantes? São gigantes.


Poema de António Gedeão/Rómulo de Carvalho

Há uma mistura de sentimentos que vão
se instalando dentro de mim. O mundo
está a mudar vertiginosamente e eu com
ele, com a diferença que ele corre mais
rápido e eu, vou sentindo ficar para trás.
É únicamente um problema meu, sei disso!
tal como sei, que sou lenta a novas adaptações. Algo que me vém da infância.
O estranho é que não devia de acontecer.
Se houve alguém que enfrentou muitas e
rápidas mudanças , fui eu. Talvez por isso sinta um certo cansaço de tantas novidades
e a maioria pouco positivas. Mas esta é a realidade e é bom que volte a estar na estação para apanhar seja qual fôr o comboio que passe. Se não me levar directa ao
destino, tenho sempre a opção de sair na primeira paragem, apanhar outro e seguir
viagem. Neste momento sou apenas caminhante. Gosto mais quando me sinto
peregrina, porque sei para onde me dirijo.
É estranho sentir cada vez mais perto o horizonte, sem sair do mesmo lugar.
É estranho olhar as montanhas e me sentir confortável no sopé, sem pretensão alguma de alcançar o cume.
É estranho gostar de olhar o céu com uma certa neblina, sem ter a necessidade de ver
o sol brilhar no seu esplendor.
O desejo de ter o mundo na palma da mão, passou! Há quem chame a isto maturidade, talvez seja...mas há uma grande dose de conformismo, ou talvez seja
apenas a aceitação da alma a uma nova realidade.
Não me sinto mais aquela guerreira que estava sempre pronta para o que desse e
viesse, não sinto mais o apelo da luta nem que fosse contra moinhos de vento.
Contudo, não desisti da vida, olho-a sómente de uma outra forma e aqui, penso que
a idade conta. Os sonhos existem, mas não são inesgostáveis e no entanto aquela
vozinha que tantas e tantas vezes se manifesta, continua dizendo que ainda há muito
caminho a percorrer. Caminharei então pelos vales, pelas margens dos rios, pelas
estradas secundárias ao pôr-do-sol, quando se sente uma leve e fresca brisa.
As conversas com a noite são sempre mais intimistas.

Thursday, February 01, 2007


Não vou alongar-me em muitas considerações sobre o aborto.
Depois de tanta discussão, esclarecimento, debate, informação e alguma
adulteração, não resta muito mais para dizer.
No entanto, como mulher e apenas isso, porque a vida não me deu a
benção de ser Mãe, uma vez que vamos a referendo tenho vontade de
dizer o que penso e o que sinto.
Eu tenho muitas dúvidas que seja qual for a lei que passe, ou não passe
e tudo fique na mesma, que a primeira coisa neste país, e não só no que
diz respeito ao aborto, como ia dizendo, a primeira a mudar devia ser a
mentalidade. A partir daí, haver legisladores competentes, de mentes
abertas e consciências limpas. Depois as próprias leis serem aplicadas no sentido de orientação, ajuda e não apenas punitivas, e não, serem
aplicadas apenas a alguns.
A decisão de abortar ou não,é própria e íntima. Não há lei que vá alterar
isso. Depois, no caso da mulher vir a ser punida por lei, já antes o foi por
a sua consciência, pelo abandono, por a pressão muitas vezes a que está
sujeita a factores externos. Nunca vi nenhum homem sentado no banco
de um Tribunal e ser punido porque se recusou a assumir a paternidade
ou ser responsabilizado por o acto em si. Mas o curioso da questão é que
são exactamente os homens que mais opiniões dão sobre o assunto.
Pessoalmente não sou a favor do aborto, quer seja às cinco , às dez semanas, ou qualquer outro tempo que viesse a ser estipulado.
Mas muito menos sou a favor da falta de condições , das punições ou de
uma gravidez indesejada que se pode transformar em crime muito mais
arrepiante. Por as razões que já apontei digo SIM à liberalização.
Anseio muito que os homens da Igreja, deixem de ser hipócritas e alguns
até ameaçadores...meus senhores, a Inquisição já teve o seu tempo, não
vale apena voltar a acordar monstros. Quanto aos senhores doutores
espero que deixem de ser objectores de consciência nos hospitais públicos, mas se de facto o são, assim se mantenham também nos privados.
Quanto às leis deste país, não vale de nada haver muitas, mas sim serem
poucas mas boas ,e cumpridas, quer para ricos , quer para pobres,
apesar de estarmos cada vez mais pobres em todos os aspectos da nossa
sociedade.
E já agora que falei em leis, aborto, abandono, e não querendo escrever
muito sobre o assunto, mas que também não é tão despropositado quanto isso, recordo sómente que se não fosse o Sr. Sargento e esposa
assumirem aquela criança, quando a mãe lhe a entregou, porque não
tinha possibilidades de a criar, mais uma vez teriamos um caso, em que
das duas , uma; Ou a mãe verdadeira teria feito um aborto, porque o
amantíssimo pai, não esteve nada preocupado ou se sentiu responsável
quando o informaram; como a mãe decidiu ter a criança, sentiu-se na
obrigação de a entregar para que ela pudesse encontrar uma família
estruturada, uma segurança e um amor incondicional.
Mas diz a Lei, e uma senhora juíza interpretou-a à risca, que aqueles 5
anos de nada valem... e mais acrescenta a senhora juíza que a lei é igual
para todos. Em que país vivem estes ilustríssimos juízes, sinceramente eu desconheço. Porque uns regem-se pela Lei, outros pela consciência,
outros pelas duas coisas e outros ...sem comentário.
Mas voltando ao aborto, era desejável que mulher alguma o fizesse, a menos que a vida de ambos perigasse. Mas era desejável também que cada criança que nasça tivesse assegurada minimamente as condições
necessárias para um desenvolvimento harmonioso e os seus direitos
reconhecidos na consciência de cada um de nós.
Os direitos só no papel não chegam, ou então cumpram-nos.

Tuesday, January 23, 2007

Há coisas que na vida me deixam absolutamente perplexa e acima de
tudo pensativa. Eu não sou nenhum modelo de virtudes, não sou dona
da verdade, não tenho nada que possa despertar inveja e, já cometi e
cometo erros que acabam sempre por me prejudicar.
Mas se algo tenho de bom e, também tenho, é o facto de não caluniar
ninguem.
Diz um ditado «que quem não se sente, não é filho de boa gente», estou
de acordo, mas quando determinadas acusações ultrapassam tudo que
eu jamais poderia imaginar, parto simplesmente para a ignorância.
Responder, seria entrar num jogo que há muito esperam que eu alimente e, dessa forma vitimizarem-se ainda mais.
Buscar responsabilidades, gerir seja aquilo que fôr, tomar decisões não
é fácil, mas quando alguma coisa corre menos bem, jogar as culpas para
cima dos outros é muito mais cómodo, porque se continue a ficar bem
na "fotografia". Já em tempos idos assisti a situações não muito diferentes em que o único objectivo era "abater" quem por uma razão ou
outra se tornava indesejável aos supostos "segredos" que afinal toda a
gente sabia. Era assim uma espécie de segredo de justiça dos nossos dias.
A única coisa a que se escusaram, foi de mencionar a campanha que por
portas e travessas faziam, convictas de que eu nada sabia.
Podem continuar a acusasões, as difamações, os segredos de Polichinelo
que eu permanecerei em silêncio.
Atrás de tempo, tempo vém e o tempo sempre foi meu aliado.
O que mais lamento é não terem parado um minuto sequer, apesar de
terem dado a entender que o fizeram e, mesmo assim sem qualquer pejo
e fraca memória dizerem com todas as letras que eu quis derrubar um
lugar, que em tempos de crise estive presente para o reerguer.
Deus abençõe a Todos.

Monday, January 22, 2007

A pior traição que podemos cometer perante o
moço que se aproxima para que lhe digamos a Verdade é ocultar-lhe que para nós essa verdade
se encontra tão longínqua e velada como a ele se
apresenta. Se lhe damos por certeza o que se mostra duvidoso enganamos a confiança que o
levou a dirigir-se-nos; se lhe não fizermos ver
todas as fendas dos paços reais arriscamos a sua
e a nossa alma a desastre que nenhum tempo futuro poderá reparar. Os que julgou mais nobres
enganaram-no; era cego, pediu guia, e levaram-no a abismos; nunca mais a sua mão se estenderá
aberta e franca a mãos humanas. Quanto a nós mesmos, que valor tem a causa se para lhe darmos dinamismo a deformamos, a mergulhamos em parte na sombra da mentira?
Não é nosso ideal, e por isso lutamos,formar os
bandos incoscientes e os prontos cadáveres que
às nossas ordens obedeçam; salvar-se-á o mundo
pelos espíritos claros, tenazes ante o certo, ante o
incerto corajosos; só eles sabem medir o seu
justo valor e vencer galhardamente toda a
barreira levantada; só eles encontram, como base
do ser, a marcha calma e a energia inesgotável.
É ilusória toda a reforma do colectivo que se não
apoie numa renovação individual; ameaça a ruína
a todo o movimento que tornarem possível a
ignorância e a ilusão. Acima de tudo coloquemos a
franqueza e os abertos corações.; das dúvidas que
se juntam podem surgir as fórmulas melhores;
vem mais lento o triunfo, mas vém mais sólido; a
ninguém se arrastou, todos chegaram por seu pé.

"Quanto aos Noviços"
Textos e Ensaios Filosóficos I
AGOSTINHO DA SILVA

Saturday, January 13, 2007


Este ano que andamos novamente às voltas com um
velho referndo sobre o aborto, peguei na Antologia
Poética de Natália Correia e aqui deixo um poema e
uma pequena notícia que foi publicada no " Diário de
Lisboa, 5 de Abril de 1982".


«O acto sexual é para ter filhos-disse,com toda a
boçalidade, o deputado do CDS no debate ante-
ontem sobre a legalização do aborto. A resposta
em poema, que ontem fazia rir todas as bancadas
parlamentares, veio de Natália Correia.
O deputado na época era João Morgado.


«Já que o coito-diz Morgado-
Tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a confusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração!-
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado-
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.»


Nota: Agora as palavras são minhas apenas para deixar uma simples
pergunta:
-Como é possivel que ao fim de 25 anos se ande à volta do mesmo
assunto, dando a impressão que não é desta que fica resolvido?
Acode-me à ideia as palavras de um outro poeta- FERNANDO PESSOA
e dizia ele:

...Cumpriu-se o mar e o Império se desfez
Senhor, falta cumprir-se Portugal!



A Forma Justa



Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar anossa fome do terrestre
A terra onde estamos-se ninguém atraiçoasse-proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
-Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sunday, January 07, 2007


Está passada a primeira semana de 2007 e no entanto 2006 ainda está entranhado na minha mente , na minha pele, como tantos outros já mais distantes.
É bom ter-mos memória das coisas boas e más. É verdade que a vida se pode alterar
num minuto, quer no sentido positivo, quer negativo e no entanto, e por enquanto
são os acontecimentos do velho ano que continuam fazendo notícia e algumas bem
chocantes.
Hoje, o dia nasceu em tom de azul e branco, raiado de rosa. O sol ainda não apareceu
e uma aragem fria acaricia o rosto. Em redor tudo é silêncio. Quão maravilhoso é não
ser-mos donos de nada e usufruir apenas do momento. É desta solidão que eu gosto.
Não daquela que infelizmente a sociedade muitas vezes impõe ou daquela que nos
habita por condição. Dizem que a felicidade, a tristeza, a solidão são estados de alma
e serão, mas o que é certo é que o meio em que estamos inseridos tem uma palavra a
dizer. Fala-se muito de auto-estima, de pensamento positivo, de força interior e tudo
disso necessitamos e devemos cultivar, mas é bom também que se assuma os lutos,
derrotas, as frustações porque são estes sentimentos quando interiorizados irão nos
fazer renascer e trazer a capacidade de olhar mais longe.
Cada um de nós tem um caminho a percorrer e o problema está quando sentimos
que estamos na estrada errada, mas não vemos maneira de escolher outra, ou mesmo que se escolha as alterações não são significativas. Geralmente perguntamos
porquê? Eu já fiz isso muitas vezes, assim como já andei por muitos caminhos e sei
lá quantos atalhos na esperança de encontrar respostas mais rápidas.
De nada adiantou. Só as encontrei no momento certo e nem sempre aquelas que eu
desejava mas as que foram possíveis. Não é fácil aceitar, mas é interessante a lição que se aprende. O tempo é o melhor mestre. Ensina-nos a ser feliz com o que se tem
e, não nos retira a capacidade de sonhar com o que se pode vir a ter e,acima de tudo
ensina-nos a Ser.
Sou aprendiza da vida e estudiosa do universo. Cometo erros? Muitos!
Injustiças? Algumas!
Mas é caindo e me levantando que vou cumprindo cada dia.