Wednesday, February 28, 2007


Fico sempre com um sorriso quando
ouço a palavra simplex. Não sei se é
pela forma como é dita, por quem a
dita ou o propósito que serve. Parece
que tem servido bem a quem quer
constituir uma empresa. Se de facto
agiliza um procedimento que era por
demais burocrático, tudo bem.
O problema é que a palavra parece
ter-se banalizado.
Assim como uma espécie de hiper , mega , re-fixe saída da série Floribella, assim temos o simplex para os mais "in" da política e que por
arrastamento lá vamos nós.
Ora, tornou-se simplex a forma como se fazem despedimentos.
Tornou-se simplex a forma como se decide e se trata(ou não), da saúde.
Tornou-se simplex a forma de pagamento ao Estado, i, e, retira-se do
ordenado e, a forma de pagamento do Estado é hiper, mega simplex
porque esse simplesmente não paga.
Tornou-se simplex a colocação de professores. Se viverem no sul vão para o Norte e vice-versa. Tornou-se simplex a colocação dos médicos, ou melhor , a não colocação, porque ficam à porta de um hospital.
É muito simplex a maneira como se legisla e se aplica, e também não se
aplica essa mesma legislação.
É muito simplex a corrupção e menos simplex o apuramento da verdade.
É muito simplex deixar-se esperar meses e meses quem não tem forma
de subsistência. É muito complex ir a uma junta médica, porque leva anos e depois, é muito simplex a mesma junta dar apta/o para trabalhar,
nem que tenha que ir de maca.
Pode parecer muito simplex estar a escrever isto, apenas por não ter que
tomar decisões, mas é muito complex constatar que somos simples
marionetes nas mãos de quem lhe foi atribuido um poder, poder esse que era o de zelar pelos interesses de um povo que não tem nem um quinto das regalias de quem governa. Pelo menos a maioria do povo.
A natureza dá-nos lições extraordinárias e todos nós somos pouco atentos, quer à natureza , quer às lições.
Meus avós costumavam dizer que o mar viria buscar mais cedo ou mais tarde aquilo que lhe pertencia. O que se tem presenciado é o mar galgar
a terra, o que quer dizer que o não têm respeitado.
Esperemos que na ânsia pelo poder de alguns, não sejamos todos engolidos. E que as gerações vindouras ainda tenham uma terra e um país a que possam chamar seu, se a natureza não se adiantar.

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