Saturday, January 13, 2007


Este ano que andamos novamente às voltas com um
velho referndo sobre o aborto, peguei na Antologia
Poética de Natália Correia e aqui deixo um poema e
uma pequena notícia que foi publicada no " Diário de
Lisboa, 5 de Abril de 1982".


«O acto sexual é para ter filhos-disse,com toda a
boçalidade, o deputado do CDS no debate ante-
ontem sobre a legalização do aborto. A resposta
em poema, que ontem fazia rir todas as bancadas
parlamentares, veio de Natália Correia.
O deputado na época era João Morgado.


«Já que o coito-diz Morgado-
Tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a confusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração!-
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado-
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.»


Nota: Agora as palavras são minhas apenas para deixar uma simples
pergunta:
-Como é possivel que ao fim de 25 anos se ande à volta do mesmo
assunto, dando a impressão que não é desta que fica resolvido?
Acode-me à ideia as palavras de um outro poeta- FERNANDO PESSOA
e dizia ele:

...Cumpriu-se o mar e o Império se desfez
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

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