Saturday, September 27, 2008


SER E NÃO SER
Nascemos duais, trazemos os sentimentos
do medo, do julgamento e da culpa e na
maioria das vezes nunca nos libertamos deles.
A vida é feita de ciclos e vivemos esses mesmos ciclos como as estações do ano.
Umas vezes sentimo-nos rejuvenecidos como a Primavera, plenos como o Verão,
silênciosos no Outono, hibernados no Inverno. Tudo se passa de dentro para fora.
Tudo se passa como que num casulo, onde nunca chegamos a ser borboleta. O tempo parece-nos cada vez mais curto quer para a apredizagem, quer para a vivência. Entre um e outro, umas pensamos que sabemos quem somos, outras acreditamos que somos o que os outros pensam de nós, outras ainda juntamos esses pensamentos todos
e não somos nem uma coisa nem outra. E um dia a tal pergunta tão
conhecida surge - Quem sou eu?... E descubro que não me conheço.
Começa assim uma procura errante, quando a resposta se encontra tão
perto, quando a chave esteve sempre no meu bolso e nem sabia para o
que servia ou o que estava ali a fazer.
Depois, nasce um outro problema, uso ou não a chave?
Se a volto a guardar e não uso fico irrequieta porque algo me diz que não
a tenho na minha posse por acaso, por outro lado nem sei como a usar.
Esta última é a mais complexa. Eu sei que ela abre todas as portas, que
só posso abrir uma de cada vez porque o que me espera requer trabalho,
coragem, audácia, força de vontade, sacrifício, paciência e mesmo que
eu tivesse demorado menos tempo a perceber que algo ia mal no meu reino, uma vida não chega para tamanha tarefa.
Se até à data limpei um quarto, faltam todos os outros. Deveria ser mais
simples esse processo e continuo a deparar-me sempre com o medo do
primeiro passo. De quanto mais tempo preciso para libertar-me?
Que sensação é esta tão estranha que me inibe de ser borboleta?
Ser e não ser, face de uma mesma moeda. Para quando olhar o reverso?
Apressa-te! Ou talvez não. O tempo é mestre, ele me dirá.

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